A ArcelorMittal, maior produtora de aço no Brasil e líder no mercado global, fechou acordo com a Multitex Logística Ltda, empresa que completa 40 anos de atuação no setor logístico, para criação da joint venture TITAM Intermodais S.A, com sede no município de Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais.

As instalações da TITAM asseguram às indústrias e produtores da região o acesso ao transporte ferroviário. Além disso, este acordo garantirá à ArcelorMittal o embarque de cal e calcário pela ferrovia, para suas plantas industriais produtoras de aço no Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A estratégia é importante para a manutenção operacional e competitividade da produtora de aço, com posterior aumento de embarque dos insumos transportados na ferrovia. Além da maior competitividade com os custos menores de transporte, a parceria reduzirá a dependência do modal rodoviário e as emissões de CO2 em função do menor número de caminhões em circulação.

Em nota, a ArcellorMittal reforça a importância da joint venture para a manutenção das operações, garantindo menores custos no transporte de cargas. A expectativa é que a Titam Intermodais viabilize o aumento de embarque dos insumos transportados na ferrovia, cujo meio oferece diversas vantagens em comparação ao rodoviário, destacando-se em aspectos como eficiência, custos, capacidade de carga e impacto ambiental.

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A empresa, que em 2023 produziu e transportou 14,8 milhões de toneladas de aço, busca ampliar possibilidades para melhorar a eficiência dos negócios. Em agosto deste ano, os investimentos partiram para a implementação do primeiro caminhão 100% elétrico no transporte de bobinas de aço.

Com capacidade para transportar 30 toneladas de carga por viagem, os veículos estão projetados para carregar cerca de 120 mil toneladas de aço por ano, reduzindo em 800 toneladas a emissão de gases de efeito estufa (GEE) anualmente.

Acordo reduzirá a dependência do modal rodoviário

No Brasil, o potencial das ferrovias ainda é subaproveitado, com a maior parte do transporte de cargas concentrada no modal rodoviário. A partir do acordo, a expectativa é que o transporte de cargas seja menos dependente das estradas, cujo uso possui maior custo e oferece riscos para cargas, conforme aponta o professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ricardo Ruiz.

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Segundo ele, a expansão e o fortalecimento do transporte ferroviário são, não apenas desejáveis, mas imprescindíveis para atender às demandas do setor produtivo de forma eficiente e sustentável.

"O transporte por caminhões em rodovias é perigoso e custoso quando comparado às ferrovias. As mineradoras precisam deslocar minério e a opção por ferrovias, não é surpreendente, já que é benéfico para a empresa, para o meio ambiente e para o tráfego de veículos como um todo”, avalia.

A eficiência das ferrovias também é comprovada ao considerar a possibilidade de transportar maiores volumes de carga, com economia de combustível, já que o modal não possui desafios diários ligados a congestionamento e risco de acidentes. “Ferrovia hoje no Brasil é sinônimo de mineração e pode corresponder por até 80% da tonelagem total do transporte ferroviário nacional. Esperamos que no futuro seja diferente, com mais cargas de mais setores sendo transportadas pelos trilhos brasileiros”, finaliza Ruiz.

O que é uma Joint Venture

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Uma joint venture é uma parceria estratégica entre duas ou mais empresas que decidem unir recursos, expertise ou ativos para realizar um projeto ou negócio específico, geralmente com objetivos comuns. Essa colaboração pode ser temporária, para um projeto de duração limitada, ou contínua, dependendo do acordo entre as partes.

Características principais de uma joint venture:

  1. Autonomia: Apesar da parceria, cada empresa mantém sua independência jurídica e operacional fora da joint venture.
  2. Objetivo Comum: As empresas envolvidas se unem para alcançar um objetivo específico, como desenvolver um produto, explorar um novo mercado ou melhorar a logística.
  3. Recursos Compartilhados: As partes contribuem com recursos variados, como capital, tecnologia, infraestrutura ou expertise.
  4. Divisão de Lucros e Riscos: Os lucros e riscos do empreendimento são compartilhados entre os parceiros, conforme definido no contrato.
  5. Nova Entidade (Opcional): Em muitos casos, é criada uma nova entidade jurídica para administrar a joint venture, como no exemplo da TITAM Intermodais S.A.

Exemplos de uso:

  • Expansão de mercado: Empresas se unem para explorar novos mercados internacionais.
  • Redução de custos: Colaboração em infraestrutura, como compartilhamento de transporte ou fábricas.
  • Desenvolvimento de tecnologia: Parcerias para pesquisa e inovação, dividindo custos e resultados.

No caso da TITAM Intermodais S.A., a joint venture entre a ArcelorMittal e a Multitex Logística visa melhorar a logística ferroviária e reduzir custos de transporte, aproveitando a expertise de ambas as empresas.

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